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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Os políticos somos nós

Estive vasculhando minha casa, remexendo coisas velhas, e eis que encontrei este artigo do Alexandre Garcia sobre o povo brasileiro. Muito interessante, principalmente porque é um pouco antigo, data de mais ou menos 2000, mas continua sendo atualíssimo. Foi extraído da “Classe”, revista de bordo da TAM.

Os políticos somos nós

Mudar o país não é mudar um mapa ou uma bandeira.

É mudar as pessoas.

Outro dia, nas cartas de Veja, encontrei uma descoberta da leitora Celina Romeu: “As queixas sobre o lamentável estado do país sempre se referem a eles, outros. Mas o Brasil não são eles; o Brasil é toda a sua população, somos nós.” Isso me fez pensar numa sociedade que esquecemos. Nós mesmos, rapidamente, transferimos para os políticos toda a responsabilidade pelo males do país, fazendo uma divisão muito cômoda para nós: eles são a fonte de todo o mal, enquanto nós, “do bem”, somos as vítimas deles.

Será mesmo assim? Será que eles é que pagam o pecado de os termos eleitos? Ora, dirão alguns, por esse pecado também pagamos todos, sofrendo as mazelas do país incorrigível, os desvios de nossos impostos, as aplicações erradas do nosso dinheiro em obras superfaturadas, em projetos demagógicos, eleitoreiros.

Será só isso? Não. Infelizmente, não. Eles não são apenas nossos mandatários. São também, nossos representantes, em tudo. Basta que olhemos se nós, como contribuintes, não desviamos, também, o dinheiro público. Basta que olhemos se nós, motoristas, não desprezamos também a lei no trânsito. Basta que olhemos se nós, oferecendo-se a oportunidade, não tratamos de tirar nossa vantagem, ainda que prejudicando o erário ou nosso próximo. Assim como se encontram políticos de todos os partidos fazendo das suas, também s encontram pessoas de todas as classes sociais fazendo o que condenam nos políticos.

Uma respeitável senhora pobre me contou, semana passada, que está recebendo a aposentadoria da prima que morreu. Na outra ponta, um rico médico me contou que sonega o que pode, embora as estatísticas garantam que os campeões de sonegação sejam os empresários. Uma respeitável escola, que ajuda a formar os cidadãos do futuro, comprou seus computadores no contrabando. Um pai de família cheio de moral com seus filhos vira lobisomem atrás do volante. Outro, sai nos jornais como cidadão exemplar, mas construiu sua mansão enquanto administrava – e desviava – material de uma grande obra da empresa de seu patrão e amigo.

Quantos políticos não são apenas o espelho dessa gente? A gente pode alegar que eles, como pessoas públicas, têm que dar o exemplo. E que a impunidade deles encoraja o afrouxamento dos valores da lei e da moral. É verdade. Mas se quisermos corrigi-los, teremos que começar escolhendo melhor. E quem não tem politização, cidadania e respeito aos direitos dos outros, com certeza não vai ter exigências para escolher o candidato. E vota em quem for sua imagem e semelhança.

Neste ano tem eleições. É hora de pensar nisso. Mudar um país não é mudar um mapa ou uma bandeira. É mudar as pessoas. Se o país é bagunçado, é semicivilizado, é injusto, não é o Hino Nacional ou a palavra Brasil que precisam ser corrigidos. E, como disse a leitora de Veja, o alvo da correção não são eles, mas nós. A pessoa politicamente correta é quem vai gerar, pela semente do voto, o político correto.

Alexandre Garcia.

2 comentários:

Darth Magnus disse...

Este é um tipo de matéria que será considerada atual por muito tempo aqui no Brasil, creio que, infelizmente, podemos até classificá-la como atemporal!

Há muito tempo venho batendo nesta tecla, não sei se sob influência deste ou qualquer outro artigo, ou por constatação própria (qualquer um sabe que tenho uma péssima memória e não lembraria se li ou não este artigo algum dia!!), mas sempre que discursamos a respeito de vários assuntos, atribuimos sempre tudo a terceira pessoa, principalmente quando temos que criticar as nossas atitudes e acabamos por dizer que o culpado é "o povo". Nunca somos "nós", sempre o povo, os pobres, os que votam sem pensar e por ai vai.

Acho que é algo como uma auto-defesa de nosso subconsciente. Não queremos nunca assumir responsabilidades, ainda mais por nossos erros e nossas ausências, então, inconscientemente dizemos que o povo errou. E quando alguém lembra a pessoa que ela está se excluindo da culpa? A pessoa parece não entender, ou fingi para não aceitar que ela é culpada também!

Acho que se começássemos a assumir nossos erros em vez de imputarmos na terceira pessoa, passaríamos a ser mais criteriosos em nossas decisões e atitudes... mas não sei, do jeito que somos no Brasil, se passássemos a assumir sempre a responsabilidade, em vez de atitudes acertadas, creio que, infelizmente, pararíamos é de criticar!

wagner disse...

A Política em nosso país é tratada como assunto secundário.
Deixado de lado pela maioria, a Política propriamente dita não é aplicada em nosso país, servindo apenas como meio de enriquecimento de uma minoria.
As conquistas sociais que popularizaram a ideologia da gestão pública parecem não ter chegado aqui, sendo o Brasil terra de ninguém quando se trata de meios para conter a corrupção e educar cidadãos para usar a democracia para estabelecer a plena igualdade Política.
Talvez a falta de interesse em mudar esse quadro é viável para a classe economicamente favorecida, pois pessoas com pouco envergadura Política são alvos fáceis para manobras e fieis ao consumismo desenfreado.
É fato que hoje o país está nas mãos dos empresários em geral, que adoram lucrar e pouco fazem para melhorar a condição social daqueles que sustentam suas bizarrices.
Urge a necessidade de um 'HERÓI'.