Boas Vindas!

Você está no Congresso Nacional!
Um lugar onde se junta pessoas dos mais diversos estilos, etnias, gostos e opiniões e ficam aqui, sem qualquer tipo de receio, levando a banca suas palavras e considerações sobre os mais diversos assuntos.
Vamos apresentar nossas idéias, debatê-las ao fundo e, se alguma coisa for útil, agregar às nossas, se não, engavetá-las!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Informação e Conhecimento na sociedade neoliberal


Vivemos em um mundo onde a informação está em todo lugar. Com o advento da era da informática, a população mundial passou a ter acesso à quase todo tipo de informação, bastando para isso o simples “clicar” do mouse. Além disso, a informação nunca correu o mundo de maneira tão rápida, bastam alguns minutos e já podemos saber tudo o que acontece no outro extremo do planeta. Uma verdadeira revolução da informação.

Junto com essa revolução, temos também um aumento do poder da mídia que, usando dessas ferramentas on-line pode incrementar significativamente sua área de abrangência no que diz respeito a obtenção e divulgação de informações. Correspondentes internacionais podem transmitir ao vivo com relativa facilidade, e-mails trazem informações de todos os cantos do mundo, cada vez mais surgem agências de notícias de alcance mundial dispostas a partilhar a informação pelo mundo inteiro. Enfim, a informação é fácil e barata, basta querer se informar e o sujeito pode ficar sabendo das principais notícias do mundo em minutos.

Essa revolução da informação, porém, sempre vem acompanhada das questões “globalização e democracia”, ou seja, o país precisa se “globalizar e democratizar” para que as portas da informação sejam abertas. Países como Cuba, Coréia do Norte e Afeganistão, por exemplo estão longe de serem considerados globalizados e democráticos e, não obstante, não podemos observar um grande acesso às tecnologias da informação nestes países. A verdade é que, o acesso à informação hoje, no que diz respeito às tecnologias, se restringe apenas às áreas de influência do neoliberalismo. Prova disso são os recentes acontecimentos na Venezuela. O país, que até pouco tempo seguia os ditames neoliberais tem recentemente tentado fugir desse círculo vicioso, e a conseqüência disso tem sido uma campanha internacional para desmoralizar o líder político desse país, principalmente após o fechamento de uma emissora de tv partidária do neoliberalismo e com participação na tentativa de golpe militar aparentemente patrocinado pelos EUA em 2001. A luta contra o neoliberalismo, nesse país, além de passar pela necessidade de se fechar instituições de imprensa também passa por um processo de conspiração lobista de setores da mídia neoliberal que ocultam a verdadeira informação em favor de interesses de classe, logo, podemos deduzir que a luta contra neoliberalismo ocasiona, sem dúvidas, crises consideráveis no que diz respeito à informação. O mesmo pode ser observado quando se analisa a informação divulgada pela mídia internacional sobre as FARC na Colômbia, esse movimento, que possui um viés marxista contrário ao neoliberalismo, acaba tendo sua imagem deturpada para ser tornar em simples “terroristas e narcotraficantes”, sendo excluída da informação veiculada publicamente o caráter político e social do movimento, que conta com o apoio de parcela significativa da população.

Não muito distante dessa situação de caráter político-internacional, existe ainda um grande equívoco por parte das pessoas em distinguir informação de conhecimento. Freqüentemente vejo as pessoas tratarem notícias e reportagens de revistas, jornais e sites de notícias como sendo fonte de conhecimento acerca do que é reportado, o que é um grande erro. O conhecimento é algo profundo, complexo, de difícil assimilação e, principalmente, é algo que não pode ser apreendido desvinculado de um estudo contextual, muitas vezes epistemológico. Diferente disso, o que vemos nos diversos veículos de comunicação da mídia, são meros recortes de informação, que são vendidos para a população leiga, desvinculada de um estudo das causas históricas e sociológicas que fizeram determinado fato ocorrer. Admitindo a impossibilidade de neutralidade ao emitir um posicionamento de caráter político, ou seja, admitindo que a mídia não é imparcial, o resultado dessa situação toda acaba sendo o que costumamos ver em nosso país, uma população inteira subordinada às supostas notícias “reveladoras e bombásticas” de revistas como VEJA, ÉPOCA, CARTA CAPITAL, etc, que nada mais são do que veículos de comunicação de uma mídia burguesa, organizada e com interesses de classe claramente definidos, que se aproveitam da situação de ignorância da população para vender informação como conhecimento e ainda de quebra manipular as massas em prol de seus interesses. O mesmo pode ser observado quando se trata do jornalismo televisivo, onde o JORNAL NACIONAL acaba sendo visto pela população leiga como “um grande propagador de conhecimentos”, quando na verdade não passa de veiculador de informações parciais e descontextualizadas.

É necessário esclarecer para as pessoas que a informação divulgada pela mídia é completamente distinta do conhecimento verdadeiro. Não basta simplesmente ter acesso à informação, é preciso saber digeri-la, utilizá-la e problematizá-la. O campo da filosofia intitulado “Teoria do Conhecimento” é o caminho para se tentar reverter essa situação. A inclusão da disciplina de filosofia nos currículos escolares, longe de ser desprovida de significado prático e utilidade, como muitos afirmam, é a chave para se esclarecer questões como essa para a população e, dessa maneira, dar alguns passos rumo a uma mudança gradativa da sociedade em que vivemos.

5 comentários:

Alfredo disse...

Informo a todos que, na qualidade de colaborador deste blog e autor de meus próprios artigos, me reservo o direito de permitir e responder somente comentários que tenham o mínimo de bom senso e que se refiram somente ao texto em questão.

Quem quizer fazer comentários pessoais, picuinhas e coisas do tipo, QUE VÁ ASSISTIR AO BBB 8!!!

Nefelibata disse...

O principal problema da informação é quando ela é CENSURADA. A censura tem origem no desconforto e medo que uma informação causa a quem detém o poder. Existem redes de informação anticapitalistas pelo mundo afora (as próprias FARC têm uma revista de circulação extremamente restrita). Se as pessoas tivessem acesso a estas informações, parariam para pensar e, o que é mais importante, AGIR!

Este blog está sob CENSURA. Um de seus membros, DITATORIALMENTE, censurou alguns comentários. Como podemos analisar isso através da Teoria do Conhecimento?

Darth Magnus disse...

Grande parte da informação que é publicada na internet é puro entretenimento. O que vemos em sítios da internet, em sua grande parte, são noticiários sobre programas de tv, cachorros de dondocas e vida alheia.

Do pouco que sobre realmente de interessante é escrito por alguns poucos e reproduzido por muitos outros, sem ao menos ali fazer crédito ou imprimir sua opinião.

Sobre a parcialidade, sim, sempre ocorre, mas acho que chega a ser quase inevitável existir parcialidade em comentários, por isso o importante é ter várias fontes de informação e, o mais importante, como você mesmo disse, saber digerí-la.

Entretanto, não vejo "santos" em canto algum. Pra mim, um grupo que usa de sequestro de inocentes para usar de moeda de negociação é tão irresponsável e inconsequente quanto um governo que se autodenomina defensor da paz mundial e que invade outro país apenas para ter domínio do petróleo deste. Assim como um governo que "pinta" seus opositores de "diabo" para conseguir o apoio do povo, assim como usar de seus recursos para aliena aqueles que não o apóiam, seja este governo capitalista ou socialista, E.U.A. ou Venezuela.

E por fim, concordo com você, não adianta apenas "jogar" a informação a pessoas que não sabem usá-la, temos que também preparar estas pessoas para saber receber esta informação e transformá-la em algo que realmente valha a pena para as suas vidas, e não para criarmos ignorantes e rebeldes sem causa que apenas gritam e acham que a vida tem apenas este sentido, senão continuaremos a estar num país (e mundo) onde poucos detêm a informação, e menos ainda a sabem usar para melhorar o ambiente.

Nefelibata disse...

O bom uso de uma informação consiste em colocá-la em prática. Um homem recebe a informação de seu médico de que deve parar de fumar e, no entanto, não pára. O exemplo acima é super comum e mostra que informação que não é colocada em prática não nos serve de quase nada.

Darth Magnus disse...

Sim, a informação, quando é para se por em prática, se não for posta em prática, de nada serve, mas existe também informações de não necessitam de ações.

E há de se fazer um adendo importante: por em prática de forma errada ou controversa a sua própria causa só acaba por estragar a informação.
"seu médico diz que vc deve parar de fumar e, no entanto, não pára, mas começa a fazer coisas que lhe prejudicam ainda mais, pois sabe que já está com sua saúde comprometida." Este é um exemplo de por uma infomação em prática, mas como eu disse anteriormente, nem sempre o "por em prática" se faz de maneira certa.

Bom-senso SEMPRE é necessário em tudo!