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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Estritamente Carnívoros

Verificando umas notícias aleatoriamente, dia desses, me deparei com a matéria que falava sobre a exportação de carne brasileira para a Europa. Aproximadamente 190 mil toneladas ao ano. Nada mal.

Mas é engraçado como duas notícias recentes estão diretamente vinculadas, porém figuram sempre separadas e com diferentes abordagens em noticiários e veículos de imprensa. A primeira fala justamente sobre o que já citei: a exportação brasileira de carne. Enquanto a segunda, e até já mencionada aqui, fala do desmatamento da Amazônia.

Em resumo, no caso da exportação, a UE tem imposto uma série de barreiras, ou exigências se preferirem, para a entrada da carne brasileira no mercado europeu. O Brasil naturalmente tem tratado de se adaptar a essa nova realidade e o governo vem sempre apresentando números maiores do que o esperado pelos próprios europeus. Essa matéria geralmente é colocada de forma a exaltar o protecionismo europeu e como o governo brasileiro tem lutado para adaptar as condições da UE e manter-se como um dos principais fornecedores de carne para os países europeus.

Já a segunda, como foi mencionado lá embaixo, trata justamente do desmatamento da Amazônia causado por, obviamente, companhias madeireiras e, principalmente, pelo cultivo da soja e do gado. Não precisa ser muito talentoso para perceber os problemas aqui.
Infelizmente vivemos num sistema econômico capitalista, onde a procura é que vai determinar a oferta. Logo se há uma grande procura por carne, produzimos carne. E vai-se além exportando a outros países, que compram esse produto não, somente, pela incapacidade de alimentar seu próprio mercado, mas pela INVIABILIDADE de se manter neste mercado. Ao contrário dos países emergentes (a maioria com proporções continentais), os países europeus não são tão extensos em território e, além disso, têm altos encargos pela criação de animais para o abate, justamente porque esse tipo de negócio cobra um preço muito alto da natureza (a pouca que ainda têm).

Novamente não precisa ser muito esperto para ver onde uma coisa se junta com a outra, já que a própria soja é um dos principais elementos envolvidos na criação do gado, sem contar o quanto de água se gasta para apenas 1kg de carne. Proibir o consumo seria um ato radical, mas colocar um encargo justo no kg da carne não o seria.

Por isso e tantas outras coisas, acho irônico que as notícias não estejam atreladas. O governo promete fiscalização rigorosa e leis mais duras contra o desmatamento, mas favorece o mercado do agro-negócio e pecuária. É incongruente, para dizer pouco.

Claro que o governo tem um papel decisivo nesta questão, entretanto ainda cabe ao cidadão comum alimentar-se de maneira mais correta, que não seja pelo meio em que vive, mas por si próprio. Muitas vezes o não-consumo de carne é ridicularizado e posto como radical ou inútil. Bom, se o não-consumo é inútil então para que evitar jogar lixo nas ruas ou apagar as luzes quando não as usamos, ou mesmo economizar água? Todas essas coisas estão ligadas, e uma boa pesquisa mostraria a qualquer um que o maior problema ambiental hoje, no Brasil, é a produção em larga escala de carne. É muito fácil fazer mudanças no cotidiano quando elas favorecem um pouco seu modo de vida e depois dizer que se é um cidadão consciente, mas quando envolve algum tipo de privação mais séria daí não vale a pena ou não muda muita coisa. É o que se costuma fazer.

Que se faça uma revolução... no cardápio, para começar.

11 comentários:

Alfredo disse...

É impressionante perceber o quanto as pessoas são levadas a comemorarem sempre o aumento anual da produção de carne no país, e sua posterior exportação, ao mesmo tempo que nunca tomam consciência de seu impacto ambiental.

É uma coisa medonha. A criação de gado é um dos grandes fatores responsáveis pelo desgaste ambiental do mundo, e o fato da União Européia dificultar essa atividade em seus territórios me faz pensar o quanto nossa economia ainda persiste em fornecer apenas comodities às nações desenvolvidas.

No passado produzimos cana de açúcar, depois café e agora carne.
Nesse atual cenário em que vivemos, onde os países ricos cada vez mais tomam medidas para evitar certas atividades que causam danos ambienteais, acredito que o Brasil está se auto condenando a ser o eterno fornecedor de carne para o mundo. Justo o Brasil que deveria ser o modelo em conservação do meio ambiente.

Dá até para imaginar algum ignorante afirmando: "Vamos produzir para os países ricos tudo aquilo que eles não querem produzir em seus países para não desgastar o meio-ambiente em que vivem! Ora, por que não, nós já compramos os seus pneus usados e seus trens velhos, não vai mudar nada se produzirmos a carne para os ricos também, aqui é Brasil, vai ser sempre assim..."

Que absurdo!

O pior de tudo é que nunca se ouve falar do impacto ambiental que isso causa, seja através da destruição da Amazônia para plantar soja destinada à alimentação do gado, a flatulência do gado que polui tanto quanto os automóveis, o gasto absurdo de água para produção da carne, enfim.

Pode ser que isso aconteça porque aqui no Brasil já existe mais gado do que gente, e não me espantaria nem um pouco se soubesse que o gado tomou conta dos meios de comunicação... rs.

O filme "A carne é fraca" é uma boa pedida para se interessar nesse assunto e, além disso, mostra a crueldade do homem na criação e abate do gado e do frango.

Darth Magnus disse...

Concordo com as críticas e até exponho outras mais, como o fato de ainda sermos um páis com pensamento de colônia (do mundo agora), mandando sempre o que temos de melhor para fora e deixando as sobras por aqui; o fato dos nossos empresários e políticos, ou seja, nós mesmos, pensarmos sempre a curto prazo, seja na obtenção de lucros ou no quanto mal podemos estar ocasionando ao mundo através de nossos atos de hoje; mencionemos também o fato de que sempre tentarmos dar o "jeitinho brasileiro" para burlar as leis e regras existentes para nos favorecer individualmente.

Entretanto, nesta história não existem santos!

As medidas tomadas pela UE, apesar de parecerem impostas como forma de remediar a devastação nos países subdesenvolvidos, neste caso o Brasil, têm também todo um lado comercial e protecionista, não deixando claro uma divisa sobre estes dois assuntos.

Também é muito importante lembrar que os paises desenvolvidos, principalmente os europeus, por séculos devastaram todas as suas terras e seus recursos naturais e hoje eles podem perceber melhor o quão ameaçados estamos pela devastação em nosso meio-ambiente.

Claro que não podemos usar de desculpa sermos um país novo, comparado aos europeus, por exemplo, mas há de ser relevante a todos o fato de que temos um costume (errado) e incentivado sempre (erroneamente) de consumo exagerado de carne. E não só carne. Em tempos atuais, estamos sempre presentes nos rankings de maiores consumidores por categoria de produtos.

Creio que não se possa implementar uma política tão categorica como a abolição de carne do cardápio, e nem tentar impedir a produção através de impostos, pois de início reclamaríamos, mas logo estaríamos comprando carne mais cara de mesma forma (sabemos que no final nós pagaríamos o imposto agregado a produção), o que temos é que criar regras limitando locais para produção e que estes locais sejam apresentados a todos consumidores no ato da compra e, mais importante, fazê-las cumprir.

Quanto a exposição das notícias desvinculadas, concordo com vocês. Neste quesito penso que ainda termos que esperar um pouco mais até alcançarmos uma imprensa imparcial a setores econômicos. Ainda temos que por um bom tempo analisarmos com medo o que lê-los e refletir para tentar chegar a algum lugar.

Esta é a imprensa perfeita para os setores dominantes e a atual juventude, preguiçosa e despreocupada. Nunca lêem nada e quando o fazem, nunca refletem. Claro que não é a maioria. Pelo menos assim espero.

Em suma...
- acredito que temos que ir aos poucos incentivando a mudança de nossos hábitos cada vez mais consumistas;

- criar regras e leis que impessam o agronegócio desordenado e em qualquer local;

- cobrar dos países que em sua longa história ja devastaram o ambiente atitudes em prol de uma civilização melhor; e

- incentivar cada vez mais o gosto pela leitura em nossos jovens para termos homens que formam suas próprias opiniões.

Lembrem-se que se não concordamos com algo, temos que cobrar nossos representantes políticos! Nós os colocamos lá para isso!! Se eles estão longe e escondidos, podemos ainda cobrar através de e-mails!!!!

The man who's already sold the world disse...

Soh um adendo sobre os comentarios: que os senhores comecem dando o bom exemplo ao procurarem alternativas a alimentacao diaria baseada em carne e derivados (leite, por exemplo).
Sobre o comentario do Magno, eh mais do que justo aumentar o imposto do kg de carne se este estiver, e sabemos que estah, causando danos ao ecossistema. Quem comprasse estaria sabendo, ou deveria, que paga mais porque a atividade que resultou naquele produto foi danosa e o imposto alto simboliza uma forma do Estado de tentar reparar aquele dano.

Darth Magnus disse...

Discordo sobre o aumento de impostos. Não é isso que irá mudar uma cultura. É como a história da proibição do "garupa" nas motas em SP. Está tendo muito crimes e muitos são ações de motociclistas e seus garupas. Então, ao invés de acabar com o mal pela raiz, pondo a polícia na rua e prendendo os assltantes, vamos proibir os garupas na cidade!

Outro exemplo? Muito trânsito em São Paulo. Solução? Aumentar o efetivo de automóveis parados simultaneamente em rodízios. Sabemos que isso não resolverá. É apenas emppurrar com a barriga! Tem que investir em transporte coletivo de qualidade!

A mesma situação é esta proposta nos impostos para carne. A curto prazo haverá reclamação e diminuição no consumo de carne, mas isto é só durante o tempo de assimilação desta nova realidade. Quando esta for assimilada, estaremos nós consumindo a mesma quantidade de carne.

Temos que mudar a cultura do consumo. Expor as origens da prodiução. Apresentar através da mídia os meios de produção e abate desta carne. Para desta forma a população ver como funciona na real a coisa toda e tomar consciência do que realmente entende por certo.

Se impostos e taxas ajudassem de forma efetiva a melhorar o Brasil, estaríamos no melhor país de todos!

Alfredo disse...

Sobre dar o exemplo, acreditem ou não, eu não tenho comido carne bovina nos últimos dias, e estou tentando adequar isso ao meu dia-a-dia de forma gradual. De qualquer forma, é bom lembrar que a solução para esse problema não é, de forma alguma, fazer com que todas as pessoas parem de comer carne bovina. O que se discute é a redução drástica do consumo, e não a extinção do mesmo, de modo que, ao comer pouca carne bovina eu já estou colaborando para que algo ocorra (mesmo assim, pretendo abolir completamente o consumo de carne bovina).

Sobre a maneira de solucionar o problema, tenho que insistir, o único caminho garantido é através da educação. TODOS OS PROBLEMAS DO BRASIL poderiam ser no mínimo drasticamente reduzidos, senão erradicados, se tivéssemos um sistema educacional que funcionasse, e isso depende principalmente da iniciativa do estado.

The man who's already sold the world disse...

Novamente sobre o imposto, nao eh errado cobrar um imposto mais alto quando se estah embasando ele.
O imposto na producao da carne aumentaria para cobrir os gastos com meio-ambiente. Assim como o imposto sobre os cigarros.
Se fossem consumir o mesmo tanto de carne ou nao, digamos, isso seria indiferente, mas AO MENOS TEORICAMENTE (e isso tem que bastar, digamos) o governo teria mais dinheiro para programas ambientais que viessem a reparar os estragos do agro-negocio.
Em outra mao, como acontece na Europa, a carne local passou a ser "organica", produz-se menos e com mais qualidade e dai o preco eh mais alto, o que leva o consumidor a comprar a carne barata de certos paises que nao taxam seu produto de forma correta (e deixam seus precos serem ditados por certos mercados protecionistas).

The man who's already sold the world disse...

Soh para completar a ideia, alguns pontos perdidos.
- imposto alto sobre o cigarro para cobrir gastos na saude
- se vegetais se tornam mais viaveis que a carne, me parece claro que as pessoas podem optar por comprar mais vegetais que 1 mero kg de carne
- o imposto mais alto na producao da carne embasado no fato de que a sociedade brasileira tem tido prejuizo por conta do consumo, esse imposto poderia ser discutido, como por exemplo, cair somente na carne para exportacao, a principio
- obviamente o processo todo esta ligado a educacao, porem o problema eh gritante e precisa de medidas urgentes que tragam mudancas a curto prazo, a conscientizacao seria algo a longo prazo

Wagnelson da Silva disse...

Concordo com a idéia do Ilustríssimo postador.

Temos em nosso país um problema real, CONCRETO, que necessita de solução imediata. Medidas urgentes precisam ser tomadas para evitar o desmatamento e a depreciação do meio ambiente. A natureza é graciosa, poderosa, mas sua fraquesa perante nosso sistema e fatal.

Aumentar os tributos relativos à produção de carne bovina ensejaria uma mudança nos hábitos alimentícios, diminuindo o consumo daquela espécie. Posso considerar essa medida uma "faca de dois gumes", pois abriria o mercado para o consumo de outros animais que não o frango e a galinha.

Temos hoje outros animais sendo devorados em restaurantes finos e, por consequência do aumento tributário acerca da criação e abatimento bovino, esse mercado ganharia espaço e essa carne migraria para à mesa da classe menos favorecida.

Acredito que a solução seria um pacote de medidas visando resultados imediatos pensando a longo prazo, tarefa difícil para nosso governo que faz tudo "nas coxas", pintando quadro com tinta vencida e sem se preocupar com o lixamento da superfície dedicada.

Para isso, teriamos que cobrar mais competência dos nossos representantes. A consciência política é fundamental para isso, coisa que nos falta.
Terimos que participar da política para isso, mas não podemos, pois nos falta tempo.
Outra coisa importante é ter o conhecimento de que isso está prejudicando o meio ambiente, informação que não é veiculada.

Assim, e por conta de tudo que vem acontecendo, acho que a melhor solução é a mitológica 3ª grande guerra mundial, que colocaria fim em tudo que há de mais degradante: o homem.

Ou talvez CONCRETAR a amazOnia.

Darth Magnus disse...

Volto e voltarei todas vezes mais quanto for possível para dizer que temos que agir na raiz do problema e não tentar criar metodologias reparatórias. Aumentar impostos não é e nunca será solução de problema algum. Vamos buscar na teoria do livre mercado uma explicação bem mais próxima da praticidade. Se a produção de gado fosse controlada, quantitativamente e qualitativamente, o produto se tornaria menos abundante e, se a busca fosse maior do que a produção, seu preço aumentaria por si só.

Ao criarmos impostos, ou ao aumentá-los, não estamos criando soluções a longos prazos, e sim problemas em médio prazo. Vamos supor que aumentemos os impostos ou criemos novos sobre a produção da carne, seja ela bovina ou não. As pessoas por um tempo passariam a comprar menos carne, entretanto, quando o fizessem gastariam mais. Gastando mais, elas teriam uma menor renda. Cobrariam aumento desta e logo voltariam a comprar carne. No que resolvemos o problema? Em nada

Sigamos uma outra linha de ação. As pessoas passam a comprar menos, pois sua renda não cobre o custo de tanta carne. O que os produtores fazem? Buscam meios de baratear esta produção de carne. Imaginemos que o Brasil é um país onde as leis funcionam, mesmo assim, existem meios legais de se atingir maior eficiência na produção, seja através de novas fórmulas de confinamento do gado, ou de áreas utilizadas, entre outras tantas. A produção baratearia e a população voltaria a comer carne. Continuamos no mesmo ponto.

Então, vamos ser mais realistas! O governo aumenta o imposto. O cidadão pede aumento para continuar a comprar sua carne, os produtores passam a usar métodos ilegais na produção, seja desmatamento de áreas proibidas, engorda através de produtos químicos, ou falta de condições de confinamento, os intermediários buscam formas de burla o pagamento dos impostos. A carne chega mais barata a nós, assim como pior, e nós a compramos.

Ou seja, em qualquer uma destas linhas de ação, solucionamos o problema em curto prazo, mas criamos outro problema (talvez ainda maior) em médio prazo!! E isso não é o certo a ser feito! Devemos pensar sempre em longo prazo e de forma macro, para sempre termos em mente todas as possibilidades cabíveis e resultantes de nossas ações, ou, caso isso seja fabuloso demais, ter em mente a maior quantidade possível de reações a nossas ações. Não podemos continuar com medidas amenas e nem sermos radicais. Temos que usar de nossa razão para chegarmos a medidas realmente eficazes que combatam a degradação ambiental em longo prazo e de forma definitiva.

Chega de proibir garupas de motos, criar impostos de reparação, pedir a ajuda de deuses ou diabos, tomemos atitudes reais para alcançarmos nossos objetivos de forma definitiva!

Darth Magnus disse...

Só um adendo ao comentário do "Wagnelson da Silva" que esqueci de fazer.

Assim como o homem criou a concepção de deus e logo não podemos ser escravos dele ou de religiões que o celebram, a contagem de tempo foi quantificada pelo homem e, da mesma forma, não podemos ser escravos dela.

Vai dizer que não temos pelo menos quinze minutos num dia de 24 horas para, no mínimo, mandar um e-mail para nossos políticos favoritos cobrando atiutudes acertadas da parte deles??

A propósito, fica aqui uma dica de filme sobre a questão de controle e tempo:
"Instinto" - com Anthony Hopkins e Cuba Gooding Jr.

Alfredo de França disse...

Só pra constar... Estou a um mês sem comer carne... rs.