Boas Vindas!

Você está no Congresso Nacional!
Um lugar onde se junta pessoas dos mais diversos estilos, etnias, gostos e opiniões e ficam aqui, sem qualquer tipo de receio, levando a banca suas palavras e considerações sobre os mais diversos assuntos.
Vamos apresentar nossas idéias, debatê-las ao fundo e, se alguma coisa for útil, agregar às nossas, se não, engavetá-las!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O abismo

Este é o último dia do ano.

Um bom momento para refletir sobre o que passou, e o que possivelmente irá acontecer no próximo ano, afinal, tudo irá começar de novo, o trabalho, a correria, a busca da realização de objetivos, e todo besteirol que já sabemos.


Então fiquei pensando sobre algo que é fundamental para o desenvolvimento de nossa sociedade, ou seja, a educação. E como esse assunto está em voga por essas bandas, decidi republicar um artigo que escrevi para o "Vôo de Ícaro" a cerca de um ano atrás. Para aqueles que já o leram, fiquem calmos, não se trata de simples reprise, o artigo está revisado, reeditado, e com uma mensagem mais acessível. Para quem ainda não o leu, leia!


As referências bibliográficas e conceitos de filosofia não são meros caprichos pseudo-intelectuais meus, mais do que isso, são singelas recomendações a todos.


E tenham todos um ano novo repleto de senso crítico!




Black Spiral Dancers


Dar aula é realmente uma atividade muito edificante.

Sendo observada a transparência na relação educador-educando, onde não existe autoritarismo e sim companheirismo*, os resultados acabam sendo muito proveitosos, e prazerosos. Acho que nunca tive uma experiência que me ensinasse tanto sobre a natureza dos homens e sobre a condição alienante das massas, dominadas pela idéia sufocante de um senso comum emanado de uma ideologia desumanizadora, provinda de uma elite no mínimo idiota.

Às vezes, sentado diante da típica mesa de professor, observo atentamente, quase que num devir filosófico, os alunos copiarem a matéria recém passada por mim na lousa. É uma coisa horrível, lêem, copiam no caderno e esquecem. Trata-se de um processo automático de eliminação de conteúdo, como se a história fosse algo exterior às suas naturezas, que se tornaram tristemente consumistas e movidas por sonhos de Daslu. É o resultado perfeito e frio do conceito de "Vigiar e Punir" de Michel Foulcault**, o Estado como perpetuador da desumanização das massas.

Mas é claro que isso não é algo que faz parte da natureza dessas pessoas. Elas são condicionadas, oprimidas, sufocadas, literalmente moldadas para agirem dessa maneira, ou mais do que simplesmente agirem assim, são transformadas numa espécie de “não ser” parmenidiano. A pessoa vive apenas no ínfimo e medíocre espaço de tempo presente, o passado reduz-se apenas a experiências pessoais que se tornaram dignas de algum destaque por raros momentos de prazer ou longos períodos de dor, quanto ao futuro, é resumido pela expectativa do próximo pagamento, do próximo capítulo da novela, ou da missa do próximo domingo. Diante disso, o mundo resume-se simplesmente a sua existência mórbida, movida únicamente pela inércia da sobrevivência. Pensar em si como um ser no mundo, como um ser coletivo, que é responsável pelo que acontece no mundo e que também pode mudar o destino das coisas parece ser algo quase impossível.

Isso faz eu lembrar da Espiral Negra de Werewolf***, com seus tentáculos, abraçando tudo e todos, envolvendo o mundo na estagnação e decadência da alienação, do desejo consumista e imediatista, do esquecimento do ser e da consciência crítica.

Não é nada fácil ir contra tudo isso. Aliás, praticamente ainda não existe uma maneira efetiva de se mudar o caótico cenário atual, no que diz respeito à formação do indivíduo. De um lado temos o estado neoliberal, que destrói toda tentativa de humanizar o ensino, através de um descaso característico nas definições de verbas do orçamento para a educação entre outras coisas. De outro observa-se as tentativas frustradas de estados que tentaram alcançar o comunismo no decorrer da História e que, invariavelmente, tornaram-se igualmente desumanizadores ao criar cidadãos doutrinados e condicionados à uma subserviência automática aos mandos e desmandos de um estado autoritário e igualmente opressor.

Ora, o que fazer diante disso? Boa pergunta...

* FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido.

** FOULCAULT, Michel. Vigiar e Punir

*** HAGEN, Mark Rein. Werewolf, the Apocalipse.

Pintura: Salvador Dali, Geopoliticus Child Watching the Birth of Man.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007 – Lula lá!

Pois é, chegamos ao final de ano! Fim de 2007!
Realmente, o tempo passa muito rápido , próxima semana iniciaremos 2008, logo estaremos no Carnaval, Festas Juninas, Dias das Crianças e... Natal. Junto com ele lá terá ido mais um ano.

O ano de 2007 foi cheio de alergias e tristezas. Um ano com muito a se discutir, aprender e esquecer. Então, já que foi um ano onde tivemos muito o que ver e ouvir, vamos aproveitar para relembrar alguns destes fatos, comentá-los e ver o que podemos aprender e melhorar a partir de 2008 com base no que vimos em 2007.

Sim! estou propondo uma retrospectiva 2007 aqui no Congresso Nacional! Então vamos lá! Forcem suas memórias, pesquisem na internet e vamos comentar cada um dos acontecimentos mais marcantes deste ano que está para acabar!!!

Para eu começar, vou direto ao primeiro dia do ano e a um assunto muito preterido pela nossa nação: Política!
"1º de janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume o seu segundo mandato presidencial. No discurso de posse, Lula promete fazer um segundo governo voltado para o crescimento econômico. Sem falar em números, Lula diz que o crescimento será combinado à inclusão social e distribuição de renda.”

Novamente Lula! Enquanto lula iniciava seu segundo mandato, a população se dividia em dois blocos de opinião, cada qual com seu próprio desejo. para alguns este era: "Tomara que Lula faça um governo melhor do que o anterior!", enquanto que para outros, este desejo era: "Tomara que Lula faça um governo menos pior do que o anterior!".

Sendo sincero, vejo o governo Lula como uma continuidade do governo Fernando Henrique (dos dois mandatos), este que era uma continuidade do governo do nosso querido e discreto Itamar Franco.

Entendo a presidência como o cargo político mais importante do país, mas um cargo onde não se pode ou deve ser muito original nas tomadas de decisões. Claro que Itamar, Fernando e Luis pensam e agem diferentes, mas apesar de suas opiniões e histórias diferentes, acabam seguindo a mesma trilha, pois esta é a única cabivel de se seguir, a úinica trafegável. O que muda são a velocidade, o rítimo, os obstáculos e os companheiros de caminhada.

Decisões e planejamentos diferentes que buscam um mesmo fim: a estabilidade e sustentabilidade econômica. Investimentos na parte social existiram, assim como na infra-estrutura de base, mas grande parte da energia do governo esteve, está e estará voltado a economia.

Sinto que o governo está no caminho certo, apesar da morosidade com que o país vem crescendo. tem muito ainda a ser feito, confesso, mas acho que a trilha adotada para seguir este caminho, escolhida ainda na época do Itamar Franco, é a trilha que vem dando certo.

É possível melhorar? Aumentar este ritimo?
Sim, sempre se é possível melhorar, entretanto, ainda somos muito afetados pela situação econônica externa e pela especulação financeira, tanto interna quanto externa (e quem não é atualmente?), e não há formas de sermos drásticos na tomada de decisões sem que estas possam parecerem temerárias demais à estes que aqui investem, o que acabaria afugentando-os e ai, nem que se estas decisões sejam milagrosas no sentido de crescimento interno, sem investimentos externos, estamos fadados a decair.

O jeito e fazer aquela fézinha no cara e em sua equipe, passar a cobrar do governo, em todos os níveis, aquilo que nos é por direito e tentar ajudar a melhorar este país, pois mesmo as boas pequenas ações do dia-a-adia são capazes de contagiar as pessoas e criar um clima de auto-ajuda coletivo, com todos se tornando um pouco menos egoístas, mesquinhos e hipócritas.

Espero que aquilo que o nosso presidente fez, que talvez não tenha sido muito e nem o ideal, e aquilo que ele prometeu e não fez, nos sirva de exemplo de como devemos ou não agir, pois não podemos simplesmente continuar jogando a culpa naqueles que elegemos e esquecermos que NÓS os elegemos, que NÓS não os acompanhamos e NÓS não os cobramos.

Acho que o ano de 2007 mostra, através do início do segundo mandato de Lula, que todos nós merecemos uma segunda oportunidade para fazer as coisas certas, fazer aquilo que deve ser feito e da maneira que se deve fazer. Então, vamos aproveitar esta oportunidade e começarmos dar o melhor de nós para mudar este país e as nossas vidas, pois há muito percebemos que o suficiente de nós não é realmente suficiente para mudar coisa alguma!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O Natal chegou, mas a vida continua.

Mais um ano passou, com ele escândalos, discussões que foram engavetadas no Congresso Nacional, muitas vidas foram extirpadas pelo crime, as notas foram publicadas nos murais das faculdades e escolas, mais pessoas perderam o emprego enquanto outras se orgulharam de conseguir um novo emprego. Enfim, como todos os outros anos a vida seguiu o mesmo caminho traçado nos anos anteriores.

Para celebrar todas as conquistas e festejar o nascimento do menino Jesus, nosso país, em apenas 3 dias, tenta liquidar tudo que existe no comércio. Tornou-se um verdadeiro inferno trafegar pelas ruas nos dias que antecedem a "festa religiosa". Será que as pessoas se lembram que o dia 25 de dezembro é um feriado bíblico? Bom, acredito que muitos aprenderam que o Natal serve apenas para dar e receber presentes; que o dia é para descansar, ou melhor, viajar e curtir a semana de folga; que se trata de recesso merecido.

Mais uma vez, sem apologia religiosa, a ignorância é fator decisivo nos costumes brasileiros. A falta de personalidade é tão notória que qualquer sopro de idéia resulta em sucesso. Vejam, por exemplo, a febre do "BOPE". Por onde ando vejo pessoas imitando o Capitão Nascimento. E o que dizer dos shoppings, que viram a noite para receber um público sedento em fazer crediários.

Indubitável que a falta de conhecimento faz da pessoa uma escrava da sabedoria alheia, mas é impressionante como o nosso país está nas mãos de poucas pessoas que cultivaram um lugar bom para as vendas, para a politicagem, etc...

Antigamente, acreditava que nosso país caminhava para uma revolução cultural, como aconteceu em outros paises há alguns séculos. Mas hoje, vejo que o Brasil caminha para a idade das trevas, e que o pior ainda está por vir, tendo em vista a geração que logo assumirá o timão.

Felizmente, como bom religioso, hoje, dia 24 de dezembro, antes das 24h., vou à igreja rezar e comemorar a festa religiosa, sem esquecer de deixar todos os pacotes de presentes empilhados próximo à árvore de Natal.

Para todos uma feliz noite de Natal!