O texto anterior acusa a mídia de ser tendenciosa, mas o próprio é extremamente tendencioso. Tenta atrelar a crise de um país aos desejos de outro [i.e. o império]. Ao invés de se ater a questão “per se”, visa unicamente atacar as democracias ocidentais baseado em argumentos poucos confiáveis e falácias.
“A vontade do povo deve vir depois da vontade de Deus”. – Imam Khomeini (Líder Supremo da República Islâmica do Irã / 1979-1989)
A maioria dos clérigos em controle do Irã é claramente favorável ao status quo e muitos acreditam serem representantes de Deus e, de forma geral, tendem a não aceitar a participação do povo, os conceitos de democracia e justiça social. A própria constituição iraniana concede poderes arbitrários aos clérigos e aos militares.
No que concerne o processo eleitoral recente, antes mesmo do fim da contagem, o conselho supremo declarou Ahmadinejah reeleito. Diante da acusação de manipulação das eleições e irregularidades diversas, o conselho assim como o líder supremo (Khamenei) negou essa hipótese, e o presidente reeleito acusou a oposição de ser “má perdedora”. Um dia após o discurso de Khamenei negando a manipulação, o conselho admitiu 50 irregularidades. O que levantaram suspeitas, primeiramente, é que existia uma divisão de votos muito próxima entre os principais candidatos e, ao final, Ahmadinejah venceu por uma esmagadora maioria. Agora se sabe que em muitos locais houve mais votos do que eleitores.
O maior conflito hoje no Irã é entre dois clérigos Khamenei, no poder, e Khatami, apenas um degrau abaixo. Ambos são conservadores, assim como os dois principais candidatos a presidência. A diferença, assim como no caso dos candidatos a presidente, é que um (Khatami) reconhece a necessidade de diversas reformas no sistema enquanto o outro (Khamenei) é ultra-conservador e não sinaliza quaisquer mudanças na sociedade iraniana.
O que move o povo iraniano para as ruas é o fato de terem sido ludibriados. Depois de 30 anos da Revolução Islâmica, o país se tornou um paradoxo. Sua sociedade é jovem e sofisticada, curiosa sobre o mundo exterior e faminta pelas vantagens da modernidade. O país vive uma constante luta entre a democracia e a autoridade religiosa, não tendo alcançado o ideal da democracia teocrática.
Do texto abaixo, pode-se concluir que é tendencioso e visa apoiar qualquer coisa que vá contra o “império” americano, não importa de que maneira. Eu sugiro aos colegas que acompanhem os blogs/twitters de iranianos relatando o que acontece no país, ao invés de se ater somente ao que aparece na TV.
“A diferença entre Ahmadinejad e Mousavi, em termos de política atual, não é tão grande quanto vem sendo dito” – Obama
Quanto ao texto acima, pode ser considerado tendencioso, não grosseiramente como o abaixo, mas contou com o apoio de Arya que depois de 8 anos fora de seu país, finalmente acredita que o dia em que vai voltar para o Irã está se aproximando.